Escolhas

Por Maria Izabel Gomes Morgado

Fazemos escolhas o tempo todo, somos um tanto Cecília Meireles em seu Ou isto ou aquilo.

    Escolhas são individuais, sempre implicam consequências para si mesmos, mas também para outros, quer seja o companheiro, os filhos, os amigos, os outros cidadãos. Vive-se hoje a escolha feita ontem e, se não se está satisfeito ou feliz, a escolha de hoje deve ser melhor. E para uma boa escolha, a humildade para ver e ouvir o outro, para buscar informações a  respeito, faz-se necessária o tempo todo.

    Os seres humanos, ao fazerem suas escolhas, procuram optar pelo que mais lhes agradam, talvez a aparência, a fama, correndo o risco de um diagnóstico enganoso. Para tanto, é preciso analisar a essência, o conteúdo, para não ter que sofrer ou rejeitar, mais tarde, as consequências de sua própria escolha. Não será só você a sofrer, não se sofre sozinho, as consequências sempre atingem a todos à nossa volta. Imagine quando a nossa volta contempla um país e um estado.

    Existe a lei natural da semeadura: colhemos o que plantamos. E mais, ao escolher o que plantar, qual método usar? Se não se ouve, se não se busca informações verdadeiras e reais, corre-se o risco do plantio sem método, do julgamento sem critério, da escolha equivocada, centrada em preconceitos. Por exemplo, sabe-se que dentro das convenções sociais, instituídas por certas coletividades, construídas por grupos de indivíduos para benefícios próprios e que certamente não te representam, as mesmas ações de um negro, de um nordestino ou de um sem diploma são tachadas diferentemente de um branco, natural de sul ou sudeste, diplomado, representante de poder.

    Votar é como plantar, a escolha de um representante implica em colheitas, em consequências para a vida de todos, no estado, no país. Em tempos de crise no que diz respeito à responsabilidade, escolhe-se, mas não se assume o risco das consequências, não se responsabiliza pelos efeitos.

Escolher alguém que seja um verdadeiro representante é escolher sem paixões partidárias, sem preconceitos, é ter clareza e objetividade, verdadeira consciência do que pode vir pela frente. É estar representado como ser humano que tem o direito de ser feliz, trabalhando, morando dignamente, com segurança, educação, saúde e vacinas.

Aquele que representa, aquele que dirige um estado, uma nação, não pode ser o mesmo que ironiza, que usa a violência, que minimiza uma pandemia, que não reconhece valores humanos, ambientais, educacionais, científicos; as necessidades do povo, da gente trabalhadora; mas sim o que conhece e reconhece, o que já viveu a necessidade, a falta, a dificuldade, características da maioria.

Se o foco for apenas um, corre-se o risco de esquecer o drama de tantos brasileiros durante a pandemia, a dor de inúmeras famílias, a enorme quantidade de mortes, e aqui é necessário registrar: mortes porque a vacina e o oxigênio chegaram tarde demais, e quem deveria providenciá-los?

Não se pode abster da realidade, ignorar ou achar que nada tem a ver com você. As coisas ruins não acontecem só com os outros, assim como as boas, portanto, não permita que prazer imediato, que vantagens pessoais, que preconceitos desviem sua escolha; não é mais possível a ilusão de que o voto, a escolha, seja só um momento de se sentir como aquele em quem se vota, não é participação de disputa. É escolher conscientemente a democracia, a participação social, aquele que verdadeiramente te ouve, aquele que pode cuidar de mim, de você, de brasileiros e paulistas.

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