E viva a democracia

Por: Luiz Fernando Elias

Mais uma eleição presidencial com eleitores escolhendo seus candidatos de acordo com suas preferências. Assim costumam ser as eleições em todas democracias do planeta, com alternância pacífica do poder, sendo os postulantes dele servos da população. Nós temos esta experiência desde 1989, pois ficamos longos anos sob a famigerada revolução, uma ditadura verde-oliva que os incautos acham que foi boa. Eu me lembro muito jovem, morando em São Paulo, do clima de medo que vivíamos, cercado de soldados armados e hostis. Fazíamos o possível para passarmos ilesos e anônimos. O atual presidente, filhote desta era de medo, vive exaltando Ustras e outros semelhantes e sempre atentando contra os poderes e ameaçando a democracia. O supremo tribunal tão atacado por sua turma foi fundamental para que o país não embarcasse, de novo, nessa aventura tenebrosa de horror e sofrimento.

Ele perdeu as eleições, mas teve votos demais, mesmo sendo quem é, mesmo fazendo tudo que fez durante a pandemia e em outras ações.

Os eleitores dele agora esperneiam, bloqueando estradas e postando nas redes tarjas de luto por terem sido derrotados.

Muitas pessoas que respeito, postam que não podiam votar no Lula por ele ser corrupto, mas votavam no Bolsonaro, esquecendo as rachadinhas, compra de imóveis com dinheiro vivo, tentativa de fraude na compra de vacinas da Índia, escândalos no ministério da educação, barras de ouro, orçamento secreto e outras coisas mais. Eu pergunto onde está a coerência?

Agora cercam as estradas e quartéis pedindo intervenção militar, não aceitando o resultado das eleições. Nesses grupos, a maioria é jovem que não tem a mínima noção do que é uma ditadura e quanto mal faz à população.

Parem de se comportarem como crianças mimadas que não aceitam o resultado do jogo. Certamente é legítimo que fiquem na oposição e tentem de novo elegerem um candidato da sua preferência.

Mas atenção para um conselho de um velho, cauteloso, que sou: Desconfiem sempre dos líderes messiânicos, sem qualquer alusão específica a este Messias de farda, pois pode servir para o opositor também. Lembrem-se que führer, führer, führer;duce, duce, duce e mito, mito, mito, tem uma tenebrosa semelhança e os dois primeiros já sabemos para onde nos levou.

Pensem antes de agir, estudem bastante, conheçam bem a história. Analisem os fatos com isenção e, finalmente, entendam que progresso é quando o benefício conseguido atinge a todos e não somente uma parcela reduzida da população.

Só seremos de fato um país grande do qual teremos orgulho de cantar o hino e tremular a bandeira se seus cidadãos tiverem pelo menos o mínimo para manter sua dignidade de pessoa humana.

Isso é primordial. O resto é somente patriotismo vazio e destituído de razão.

Nossa bandeira é e sempre será verde amarela, mas a democracia tem todas as cores.

Luiz Fernando Elias escreve este artigo
Luiz Fernando Elias escreve este artigo