Dicas & truques
Tudo que flui-dia da água 22 de março
Escrito por: Alexandre Iunes Elias
Por: Odete Rosa
e-mail: odeterosa9@gmail.com
Na pressa dos dias, a gente quase não percebe a água. Ela está ali, discreta,no copo sobre a mesa, no banho apressado antes de sair, no café que esquenta amanhã. Só repara mesmo quando falta. E aí tudo desanda: o corpo reclama, a casatrava, a rotina perde o eixo.
É curioso, como a água faz de tudo e sem chamar atenção. Dentro da gente,ela regula a temperatura, carrega nutrientes, leva embora o que não presta, lubrifica asengrenagens do corpo, participa de reações que a gente nem imagina. Fora da gente,então, é ainda mais impressionante: sustenta lavouras, movimenta indústrias, geraenergia, desenha paisagens, equilibra o clima, atravessa o céu e volta em forma dechuva, como se nunca tivesse ido embora.
Sempre que penso em água, lembro de um grande amigo, Guilherme
Tonani, que atualmente está trabalhando no interior do Piauí, numa empresa deabastecimento. Enquanto aqui a água chega com um simples giro de pulso, lá, muitasvezes, ela vem em caminhões-pipa, enfrentando estradas difíceis para abastecercidades inteiras.
E quando ela chega, já tem gente esperando com um balde na mão e pressano olhar. Crianças, idosos, todo mundo sabendo que aquele momento não é rotina. Énecessidade. É sobrevivência. E quando a água começa a cair, não tem desperdício,não tem descuido. Cada gota tem destino. Cada litro tem nome.
Talvez seja por isso que os rios aparecem tanto nos livros como metáfora davida. Eles não são rígidos, não resistem de forma bruta aos obstáculos. Contornam,infiltram, escavam, persistem. Seguem adiante. Assim também somos (ou deveríamosser) diante do tempo, das dificuldades, das mudanças inevitáveis. Há uma sabedoria nafluidez.
Como escreveu Lao-Tsé, “neste mundo, nada é mais maleável e frágilquanto a água. Contudo, ninguém, por mais poderoso que seja, resiste à sua ação, oupode viver sem ela.” Mesmo incolor, inodora e insípida é invencível. Ensina, sempalavras, que a flexibilidade pode ser mais poderosa que a rigidez, ainda que poucosrealmente vivam de acordo com isso.
Entre a nascente d’água e as páginas mais finas de um livro (que tambémsão feitas de água transformada), existe um mesmo princípio: o de que tudo flui. E talvezseja essa a maior lição na véspera do Dia da Água (22 de março): reconhecer que,assim como os rios, seguimos em movimento, carregando histórias, contornandomargens, alimentando o que encontramos pelo caminho.
E que, no fim, cuidar da água é também cuidar de nós mesmos: daquilo quenos atravessa, nos sustenta e, sem pressa, nos mantém vivos.
Frase do dia: “A água que você toca dos rios é a última daquela que se foi e a primeira daquela que vem. Assim é o tempo presente.” – Leonardo da Vinci