Dicas & Truques
A única coisa que nos imortaliza – mesmo – é a memória de quem amou a gente.
Por: Odete Rosa
e-mail: odeterosa9@gmail.com
Você recém completou 40 anos e já sabe que provavelmente viveu mais da metade da vida. Você está para completar 50 anos e pensa que deve ter 20, 30 anos ainda.
Você está para se aposentar com 65 anos, e percebe que só tem 7 anos se você morrer com a idade do teu pai…A cada aniversário, você comemora anos a mais e tem anos a menos à frente. Será que você algum dia vai acordar, fazer o chimarrão, ir para a frente de casa e pensar em quanto tempo faz que o grande NADA deveria ter aparecido, mas você está ali, ainda, sobrando?
“Todas as pessoas querem deixar alguns vestígios para a posteridade. Deixar alguma marca. É a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio que supostamente nos imortaliza. Porém, filhos somem no mundo, árvores são cortadas, livros mofam em sebos. A única coisa que nos imortaliza – mesmo – é a memória de quem amou a gente”.
Envelhecer é um processo dinâmico, contínuo e ocorre ao longo dos dias.
Acredito que não se fale muito no espelho kkkk … Sim.
Sabe quando você olha o espelho e a imagem reflete uma pessoa que você não tem parado muito tempo para olhar detalhadamente e percebe que um alguém diferente está ali?
Pode parecer loucura, mudamos diariamente não somente física, mas mentalmente, amadurecemos e temos outros pensamentos, desejos e ações diferentes. Eis que de repente surge aquela imagem, o eu que não sei muito bem quem é.
A primeira coisa é que vejo é uma pessoa que passou a prestar atenção em si, e continua com a mesma vitalidade de sempre, mas não conhece ainda muito bem aquele ser da imagem.
Este eu acho que é o X da questão.
Na maioria dos casos, mudamos e não olhamos muito nossos olhos e vemos que a pessoa interior pode continuar e o físico pode ter modificado um pouco ou a forma de perceber-se.
Acredito que não se trate de uma coisa difícil, mas analisar e saber quem é aquele ser que lhe olha e acima de tudo ver que outras prioridades surgiram, interesses e até mesmo comportamentos.
Se fosse pautar como algo desconfortável, seriam as ofertas (comércio) para as diferentes fases da vida.
Explico. Somos inundados de ofertas de planos de saúde, de entretenimentos que nem sempre nos interessam, de olhares e dizeres que tratam as pessoas como se fossem os antigos idosos.
Claro que estou generalizando, há segmentos que se dedicam a essa linda nova 3ª idade, e este movimento eu realmente acho maravilhoso.
Somos mais longevos. Nossos “falsos” idosos, são mais dinâmicos, a “vovozinha” faz pilates, está mais autônoma, viaja com as amigas e age como uma pessoa qualquer. Isso é vida.
Talvez a parte mais difícil seja ver você mesmo, ter consciência de quem é e não seguir um padrão devido à idade que tem. Porque socialmente ainda se tem a ideia estereotipada de comportamentos específicos e falas fragmentadas em números. A pessoa de 30 é tratada de forma X, a de 40 é Y e por aí vai.
Em meus, bem vividos 53 anos acho isso tudo muito engraçado. As pessoas me olham grisalha e dizem: _Nossa, jamais diria que tens esta idade ativa deste jeito.
É muito chato ser “tachado” por um número.
Que sejamos mais autônomos, nos conheçamos mais e melhor e não sigamos um “padrão” estereotipado.
Certa vez, perguntaram a Galileu Galilei (1564-1642), importantíssimo homem de ciências italiano, qual sua idade.
Ele respondeu: “oito ou talvez dez”. Sua barba branca, em “evidente” contradição com sua resposta, causou perplexidade ao seu interlocutor. Galileu, por sua vez, talvez movido por compaixão, logo se incumbiu de melhor explicar sua resposta: “tenho, na verdade, apenas os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais, do mesmo modo que também não tenho as moedas que já gastei”.
É nesse contexto que a resposta de Galileu Galilei alcança sua máxima expressão e pode ser um divisor de águas em nossa existência. Por oposição, nos ensinou a importância de valorizarmos o tempo que nos resta e não lamentarmos o tempo que já passou. Daí podermos extrair que, igualmente, não devemos ficar presos aos atos passados, pois esses já geraram marcas e novas experiências. Já se exauriram. O que nos interessa, agora, é o que fazemos com o nosso presente, motor do nosso futuro.
Vamos nos valer de nossa real idade (como nos disse Galileu) para que, em qualquer cenário que atuemos, a partir de hoje, sejamos luz, sob pena de nos tornarmos escuridão, desordem e caos.
“No final, não são os anos da sua vida que contam, e sim a vida ao longo desses anos” Abraham Lincoln, 16º. presidente dos EUA