Banco Central autônomo, em relação a quem?

Por: Bebeto

O começo do 3º mandato do Presidente Lula foi marcado por críticas do Presidente Lula e por todos que viam a taxa de juros praticada pelo Banco Central do Brasil em 13,75% como absurda. Taxa Selic (é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras) é usada para controlar a inflação ( fonte: BC do Brasil). A inflação anualizada em dezembro de 2022 estava em 5,79%, portanto o juro real ( taxa Selic menos inflação) praticado pelo BC do Brasil estava em 7,96%, e continuou mais alto ainda até junho de 2023, pois a inflação anualizada em junho de 2023 era de 3,16% e a Taxa Selic 13,75% ( juro real 10,57%). Caro leitor, esses dados são absurdos, pois qual empresário vai investir com juros reais nestes níveis, isto inibe novos investimentos, portanto a evolução de novos negócios que possibilitam a criação de empregos. Quem ganha com juros nas alturas é como sempre o rentismo, ou seja, quem vive de juros.

Lembrando que a Lei que estabelece a chamada autonomia do Banco Central (Lei Complementar 179) entrou em vigor dia 24/02/2021, no governo anterior e que o presidente do BC tem mandato por 4 anos, sendo este indicado pelo Presidente da República. Ora Lula terá que aturar o atual presidente do BC até 31/12/2024. Digo aturar, pois não foi eleito com a plataforma do governo Lula e sim indicado pelo governo anterior que tinha uma política ultraliberal e contra os interesses favoráveis a melhores condições sociais para os trabalhadores. 

 Dito tudo isto, a pergunta do título deste artigo: “Banco Central autônomo, em relação a quem?” Certamente não alinhado ao governo eleito nas urnas com projeto de desenvolvimento que possibilita ascensão socioeconômica da população, que tem no Estado o indutor do desenvolvimento, que não é privatista. Quem não se lembra da importância do Banco do Brasil, da CEF e do BNDES na crise de 2008, não fossem estes bancos estatais teríamos um tsunami na economia brasileira, felizmente tínhamos Lula presidente. O atual Ministro da Fazenda Fernando Haddad, Professor, faço questão de frisar, faz um ajuste fiscal, aquele que você caro leitor ouve todo dia nos telejornais patrocinados pela bufunfa, estes que querem o ajuste pelo corte das despesas (investimentos), adivinhem quais despesas, “Educação e Saúde”, ou seja, a cartilha neoliberal de sempre, tudo entregue ao “Deus Mercado”, aquele que quando tem lucro, incorpora o mesmo, mas se tem prejuízo socializa. Fernando Haddad optou pelo social, ao invés, de corte na Educação e Saúde, aumento da arrecadação, em cima dos que possuem muitas vezes isenções sem retorno social. Isto é insuportável aos endinheirados. Você pode estar perguntando se este artigo tem a ver com sua vida cotidiana, ora, quase todo esforço de arrecadação do governo federal fica comprometido no pagamento dos juros da dívida, só para se ter uma ideia, segundo o Banco Central, de agosto de 2021 a julho de 2022, o governo anterior gastou R$ 586 bilhões para pagar juros da dívida pública nacional, isto corresponde a 6,31% do PIB do Brasil. De acordo com o Tesouro Nacional, aproximadamente 76% vão para instituições financeiras, fundos de investimentos e de previdência, ou seja, “AOS BANCOS”, o “DEUS MERCADO”, este que é cotidianamente consultado pelo Banco Central para determinar a taxa de juros SELIC, ou seja, os beneficiários da taxa Selic são consultados para determinar a Taxa Selic, “não é maravilhoso isto?”.

 Conclusão: Autonomia em relação a quem? Ao voto popular, sacrificando o social, o produtivo, o emprego, a qualidade de vida do povo brasileiro em sua esmagadora maioria para favorecer uma minoria.

Pense nisso…