Tenista consagrado revisita sua história em Cajuru

Por: Waldir Buentes

Era começo dos anos 70 quando o Casal Marita e Dirceu Ferrari de Menezes aportou em Cajuru com seus dois filhos. Apaixonados por esportes, os garotos logo se integraram com as atividades da cidade que se apresentava como um polo do basquete- modalidade em que o filho mais velho- Dirceu (mais conhecido como Dide) era ardiloso praticante. Já o filho mais novo – Mauro, com seus 8 anos de idade trazia da capital uma paixão que ainda não havia por aqui: o tênis de campo.

Sem quadras de tênis em Cajuru, Mauro contou com o incentivo e dedicação do pai que construiu um paredão no quintal da casa em que moravam na rua Maria Pires, que permitiu ao jovem atleta se desenvolver sozinho no esporte branco (como o tênis era conhecido na época), que contava também com uma tabela de basquete. Com o tempo as atividades esportivas se intensificaram entre os garotos e seus amigos, alcançando os mais extensos horários noturnos, o que fez aquele dedicado pai comprar um farol de trem para iluminar o espaço, que também servia para as festas entre a garotada. “A iluminação que meu pai improvisou me permitiu que eu batesse no paredão até mais tarde da noite”, relembra o tenista.

Assim começou a história de um dos mais importantes atletas do tênis brasileiro, que alguns anos depois se transferiu para Ribeirão Preto, para o aprimoramento no tênis na Sociedade Recreativa. De lá, Mauro foi convidado para cursar a Universidade nos Estados Unidos, onde disputou o campeonato universitário americano e, em seguida, para carreira profissional.

Na carreira, Mauro Menezes foi jogador da seleção brasileira da Copa Davis (a Copa do Mundo do tênis) e jogou todos os grandes torneios do mundo como Wimbledon e Roland Garros. O Atleta se tornou um dos mais importantes atletas desta modalidade no Brasil e posteriormente um dos treinadores mais conceituados, também.

No último domingo (dia 25), Mauro Menezes retornou à cidade para ser homenageado durante a realização do já tradicional torneio de tênis do Recanto da Amizade. Acompanhado pela mãe e pelo irmão, Mauro participou de um bate bola com alguns tenistas de Cajuru. Jogou duplas, reencontrou velhos amigos e falou aos presentes. Recordou do tempo em que nadava todos os dias na piscina do tradicional clube cajuruense e falou sobre sua carreira, sobre a amizade com Maria Esther Bueno (maior tenista do Brasil de toda a história) e sobre seu trabalho atual: o Instituto Próxima Geração,  projeto social que ensina tênis para 120 crianças na cidade de Osasco (SP) e que é considerado um dos maiores do País. “Nosso objetivo nesse projeto era oferecer um caminho e dar oportunidade para essas crianças, mas no meio do caminho a gente descobriu que a história era outra: o esporte desenvolveu a autoestima das crianças e mudou a perspectiva de vida delas, revertendo suas histórias”, declarou Maurão.