Vazão na usina Itaipava mostra que haverá excelente desova

Da redação

De acordo com a Instrução Normativa do IBAMA-Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, durante os próximos quatro meses: novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, a pesca está proibida em toda bacia hidrográfica do rio Paraná. Trata-se do defeso da reprodução de todas as espécies de peixes nativos como nos casos do Pintado, Dourado, Piau, Piapara, Curimbatá, Mandi, Lambari e o Jaú.  E como vem ocorrendo nos últimos anos, no rio Pardo, seus afluentes e lagoas marginais, todas as modalidades estão terminantemente proibidas, inclusive o transporte e o armazenamento.

Na tarde desta quinta-feira, estivemos na barragem da usina Itaipava, local que é considerado um dos principais pontos de desova do rio Pardo na região e, diferentemente do ano passado, quando nesta época a vazão ainda estava baixa, esta semana o cenário que encontramos está perfeito para receber os cardumes, principalmente nas corredeiras a jusante da barragem que já está totalmente tomada pelas águas, confira foto, graças ao grande volume de chuva que tem caído com bastante frequência, afinal acabamos de sair de um período de seis meses sem chuvas, em alguns pontos era possível atravessar o rio de uma margem a outra a pé.

A palavra “Piracema” de origem Tupi significa “subida de peixe” que consiste na busca por locais mais seguros para desovarem. A importância da Piracema para a conservação dos peixes de água doce se torna mais evidente quando compreendemos o porquê dos cardumes praticarem esse deslocamento. No período anterior ao começo das chuvas, os peixes vão acumulando grande quantidade de gordura na cavidade abdominal. O início da estação chuvosa e o aumento do volume de água nos rios sinalizam para os peixes que o período mais adequado à reprodução está se aproximando. Os locais mais adequados para a desova são as cabeceiras dos rios, onde os ovos estão mais protegidos de predadores, e é para esses locais que os peixes de piracema migram. Nesse esforço de subida para as cabeceiras, os peixes vão queimando a gordura acumulada e ao mesmo tempo estimulando a liberação dos hormônios que atuam no amadurecimento dos óvulos e espermatozoides. Durante este período, os peixes praticamente não se alimentam, depositando todo seu esforço no deslocamento rio acima.

Uma vez fecundados, os ovos crescem até se transformarem em alevinos que posteriormente, migram rio abaixo, completando seu desenvolvimento em lagoas marginais ou pequenos ribeirões, locais com abundância de alimento e abrigos.  

Quem insistir em descumprir o regramento estabelecido para o período de Piracema, estará cometendo crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, cuja pena varia de um a três anos de detenção, além de lavratura de Auto de Infração, que em regra parte de mil reais acrescido de 20 reais por quilo de pescado apreendido, bem como a apreensão dos equipamentos utilizados: barco, motor de popa, varas e molinetes.

Pescar neste período, além de crime, é uma clara demonstração de falta de respeito. Todos nós temos o dever de proteger este fenômeno da natureza, não só para a presente, mas também para as futuras gerações.

Na imagem exclusiva desta semana mostramos o aumento da vazão do Pardo, com isso as corredeiras da Itaipava estão prontas para receber os cardumes para desovarem
Na imagem exclusiva desta semana mostramos o aumento da vazão do Pardo, com isso as corredeiras da Itaipava estão prontas para receber os cardumes para desovarem