Frei Fabreti foi reconhecido e homenageado em sua terra natal

Da redação

Dia 04/05/2024, uma data marcante na história de Cajuru e para a família Fabreti, pois foi nesta noite memorável, inesquecível e emocionante que se prestou justa homenagem ao cajuruense Frei Fabreti, na Matriz São Bento de Cajuru. Foi assim o lançamento da sua biografia “Frei Fabreti: a canção que sobe aos céus”, escrita pelo historiador Bruno Paiva Meni, junto da apresentação do coral Arquidiocesano da Arquidiocese de Ribeirão Preto, então batizado como Coral Arquidiocesano Frei Fabreti.

A biografia traz apresentação do Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto Dom Moacir Silva que coloca Frei Fabreti como o grande compositor de canto litúrgico, sempre atento, traduzindo em suas canções o que pede a Sagrada Liturgia.

Antônio Fernando Fabreti nasceu em 16/04/1954, primeiro filho de família humilde, numa sexta-feira da Paixão; o pai era Senhor João, encanador e pescador, e a mãe, Dona Arinda. Tiveram também duas filhas, Amanda e Maria Tereza.

Desde criança, dedicado às orações, brincava de rezar missa e manifestava o desejo de ser padre. Crescia num ambiente teológico paralelo ao Concílio (documento renovador da Igreja) que pedia uma prática profunda de espiritualidade, que caminhava para uma nova realidade litúrgica, com participação ativa do povo. E a música seria o principal instrumento, como canto popular religioso.

Fernando Fabreti começou tocando os sinos da Matriz de São Bento e preparava os objetos litúrgicos para as missas. Iniciou o percurso musical, de forma autônoma, usando o órgão da Igreja, o que lhe fora proibido, passando a dedicar-se ao desenho. Após trabalhar no Fórum de Cajuru, foi para São Caetano do Sul estudar e trabalhar, passando por conservatório de música.

    Em 1979, ingressou no noviciado franciscano, ordenado diácono em 1985 da Província da Imaculada Conceição, aprofundando-se cada vez mais nos estudos musicais e litúrgicos, especialmente trabalhando melodias suaves, harmoniosas e versos fiéis aos textos bíblicos, que fossem fáceis para o canto, levando ao louvor, composições para servir ao povo de Deus. Passou a ministrar formações e cursos litúrgicos com especial destaque, contribuindo grandemente para a evangelização no Brasil.

Em 1990 foi publicado, de sua autoria, “Dinâmica para a equipe de liturgia”, sempre de acordo com o Concílio, onde consta inclusive cantos-mensagem, com o objetivo de reflexão.

Junto de Irmã Míria Therezinha Kolling, Frei Fabreti liderou o projeto formativo Canto Pastoral por todo o Brasil; e em parceria com José Thomaz Filho, a pedido das Paulinas, compôs uma missa para a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, e o canto final fez e faz sucesso pelas comunidades brasileiras e do exterior (Imaculada Maria de Deus). Outros exemplos, Oração pela Paz (Cristo, quero ser instrumento) e a missa de Cristo Rei estão entre numerosa lista de composições; além de trabalhos inéditos que deixou e trechos que se tornaram músicas.

    Por ocasião de férias, descansando em um sítio, junto da natureza, aqui em Cajuru, compôs a impecável canção “Pelos prados e campinas”, salmo 23. E, uma vez por ano, retornava para Cajuru, junto da família e sempre mantinha contato com Padre César Vanderlei Cerri, para conversas e encontros.

Trabalhava sempre em muito silêncio, discreto e Cajuru não tinha a noção de quem se tratava e do seu grandioso trabalho.

Viajou para Assis, onde viveu São Francisco de Assis e hoje jaz seus restos mortais. Esteve também na Alemanha, na Áustria, onde conheceu a casa de Beethoven.

Em 1992, já com infecção neurológica, o que aos poucos lhe fazia perder visão e audição, sem revelar tal situação para a família, aqui esteve para celebrar as bodas de sua irmã mais nova, Maria Tereza e Edmur. Nesta fase, compôs “Eis-me aqui, Senhor”.

Com o agravamento da doença, sua mãe, Dona Arinda e sua irmã mais velha, Amanda, foram para São Paulo e, junto dos frades do Largo São Francisco dele cuidaram. Recebeu a unção dos enfermos sob o canto “Imaculada, Maria de Deus” e, cinco dias depois, em 25/11/1992, serenamente descansou, mesmo tendo sofrido tanto, o que o amadureceu e purificou em aceitação da morte, com amor a Deus. Está sepultado no Mausoléu Franciscano no Cemitério do Santíssimo Sacramento, que é geminado com o Cemitério do Araçá, em São Paulo.

Quem foi Frei Fabreti? Como responder?

Foi o compositor de êxito, o músico e ensaiador de cantos, o menino de Cajuru, vocacionado à Igreja, tinha a música dentro de si, dom que Deus lhe concedeu, irmão franciscano, jovem trabalhador e amigo. Cumpridor discreto de sua missão e vocação, com cuidado e, misericordiamente, na suavidade melódica, na delicadeza de seus versos compostos sob a perspectiva evangélica, cantos que permanecerão para sempre, expressão do sentimento do povo, a alma popular sintonizada com a vida, com a real partilha do dom, manifestações de profundo amor e fecundo serviço pela liturgia, está entre os dez melhores compositores da música litúrgica e sacra no Brasil, de todos os tempos. Seu trabalho chega aos mais simples e pequenos revelando quão grande é a mensagem de Deus, de modo forte, com alegria.

A melhor definição sobre Frei Fabreti, nos dias atuais, é a visão de seus sobrinhos que o conheceram pela saudade da pessoa nos belos quadros na parede, dos cantos entoados por mães e avós, na referência católica, na herança litúrgica deixada na família, na cultura da caridade, do amor a Jesus Cristo, ao próximo e a todos os Santos. Como eles colocaram: é a transcendência do tempo, do plano físico, é a conexão espiritual do tio com os sobrinhos Henrique, Guilherme, Francisco, Antônio Fernando e Ana Cláudia.

E então, no dia 04/05/2024, foi feito o lançamento da biografia do cajuruense Frei Antônio Fernando Fabreti, na presença de familiares; do Arcebispo Dom Moacir Silva, dos padres Francisco Jaber Moussa (Chicão), idealizadores deste trabalho; Frei Marcos Antônio de Andrade, da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil; Pe Ivonei Burtia, Pe César, Pe Gil, Pe João Marcos, Seminarista Vítor e o idealizador do coral Arquidiocesano, Pe Leonardo Silva.

Entre recordações da vida de Frei Fabreti, o coral intercalou apresentações inebriantes e extasiantes das músicas compostas por ele.

O coral Arquidiocesano Frei Fabreti também nasceu em terras cajuruenses, quando Pe Leonardo reuniu vozes da Matriz São Bento, da paróquia Cristo Rei e de outras cidades e paróquias, para cantar em sua ordenação e de seus companheiros. Assim nasceu este coral maravilhoso, vozes de várias cidades, sob comando do maestro Eduardo e maestrina Fernanda. Este é um coral que representa mais um orgulho para Cajuru no louvor e serviço a Deus.

Ao final da apresentação, todos receberam o livro com a biografia: “Frei Fabreti: a canção que sobe aos Céus.”

Com todos os bancos da Matriz tomados, a população acompanhou atentamente e conheceu com detalhes a obra de cantos litúrgicos interpretados pelo coral Arquidiocesano e a vida do Frei Fabreti
Com todos os bancos da Matriz tomados, a população acompanhou atentamente e conheceu com detalhes a obra de cantos litúrgicos interpretados pelo coral Arquidiocesano e a vida do Frei Fabreti
Esta imagem é o registro de quando o Frei Fabreti estava em plena produção de suas músicas, hoje conhecidas no Brasil inteiro, inclusive no exterior
Esta imagem é o registro de quando o Frei Fabreti estava em plena produção de suas músicas, hoje conhecidas no Brasil inteiro, inclusive no exterior
Ao final da homenagem, Dona Arinda (mãe do Frei Fabreti) recebeu os cumprimentos do Arcebispo Metropolitano Dom Moacir Silva
Ao final da homenagem, Dona Arinda (mãe do Frei Fabreti) recebeu os cumprimentos do Arcebispo Metropolitano Dom Moacir Silva