Cajuru velou seu sacerdote

Pe. Américo Romito foi velado na Igreja Matriz de São Bento

Da redação

A nossa cidade de Cajuru e a família Romito viveram nos últimos dias duas grandes perdas que começou com a morte de Aurélio Romito também conhecido como Lelo, aos 91 anos, no dia 16 de janeiro. Apenas cinco dias se passaram até que no dia 21 chegou a notícia da morte do Padre Américo Romito, aos 89 anos de idade. Dois cajuruenses ilustres filhos de Theodoro Romito e Rita Reusi Romito.

Como contou em sua Autobiografia, Pe. Américo relatou momentos marcantes de sua infância, até que em 1940 seu pai faleceu deixando sua mãe viúva com cinco filhos homens para criar: Osvaldo, Aurélio, Américo, Orestes e Roberto. Sua mãe teve que trabalhar fora para garantir o sustento da família que segundo ele, era uma família pobre, mas cristã e feliz.

Todos os irmãos tiveram que começar a trabalhar muito cedo até que aos 20 anos de idade Américo Romito já se sentia um marceneiro profissional qualificado produzindo móveis de alto padrão na antiga fábrica “A Caprichosa”, e todas as noites ía para a igreja Matriz rezar e participar das missas.

Aos 24 anos ingressou no seminário em Rio Claro e logo se encantou e se espelhou pelos Missionários Claretianos que vinham muito em Cajuru fazer pregações. Em 1958 Pe. Américo relatou que disse o adeus que marcou sua vida quando deixou seus instrumentos de trabalho, suas ferramentas, a empresa, os patrões e companheiros, os irmãos e sua mãe quando partiu para São Paulo para a casa dos Claretianos, e este momento, segundo relato do Pe. Américo, foi beijar, como forma de despedida,  sua mãe que estava doando seu filho para Deus com o coração arrebentado em lágrimas.

Em janeiro de 1972, diante de sua mãe, seus irmãos e toda comunidade cristã cajuruense Pe. Américo Romito foi ordenado padre. Desde então dedicou sua vida em prol do outro, e disse em sua autobiografia, “Toda vida de Cristo foi um ser para outros. Isto seria também a razão de ser da minha vida sacerdotal. Meus programas de vida eram os da igreja, da minha província, da minha comunidade. Meu programa pessoal: doar minha vida para a Igreja, para os outros. Ser para os outros. Gostei sempre do simples, do servir aos irmãos e nada mais. Não foi fácil caminhar por esses caminhos, mas hoje vejo que o pouco que consegui valeu a pena. Assim que morrer, sem ter nenhuma importância”.

“Pe. Américo Romito era um grande missionário claretiano. Quando muito jovem na Comunidade São Miguel, celebrando a eucaristia, participando de suas experiências missionárias, principalmente no Mato Grosso, me encantava pela simplicidade, amor e zelo por aquilo que fazia”. Assim Pe. Ivonei Adriani Burtia definiu Pe. Américo.

No final de 2020 Pe. Américo apresentou uma condição debilitante de saúde. No final de 2022 e início de 2023 sentiu fraqueza e apresentava anemia e desconforto respiratório sendo internado na Santa Casa de Batatais,  diagnosticado com uma pneumonia, em seguida transferido para a UTI para cuidados mais intensos, até que um exame mais aprofundado constatou o comprometimento do pulmão por uma metástase, indicando nódulos cancerígenos. No dia 18 de janeiro, recebeu Unção dos Enfermos e a Comunhão e, no dia 21, às 18 horas, entregou sua alma a Deus.

Pe. Américo Romito
Pe. Américo Romito
Após uma Missa Solene na Matriz de São Bento, onde tudo começou, diante de familiares, sacerdotes e a comunidade, o arcebispo Dom Moacir abençoou o corpo de Pe. Américo
Após uma Missa Solene na Matriz de São Bento, onde tudo começou, diante de familiares, sacerdotes e a comunidade, o arcebispo Dom Moacir abençoou o corpo de Pe. Américo