A força da democracia

Por: Luiz Fernando Elias

Tivemos neste domingo as eleições tão esperadas, num país dividido, com dois candidatos disputando o cargo maior.

Na primeira fase, num resultado surpreendente, o candidato opositor saiu na frente e viu uma enxurrada de votos para seus correligionários nas câmaras, o que mostrava claramente uma força cada vez maior da extrema direita, que a exemplo em vários países do mundo tem crescido bastante.

Muitos eleitores deste grupo, tem esta consciência ideológica bem definida, mas a imensa maioria acaba sendo conduzida por influenciadores que pipocam na internet, e que se tornam fenômenos de votação, sem que tenham de fato um projeto real de governo apenas com discurso de ódio e negação de valores humanos. O lema do momento era “Precisamos acabar com o Lula e o PT”, e isso vai ecoando pelos sentidos e contamina uma imensa quantidade de pessoas, que repetem: “Nãopodemos votar no Lula por conta da corrupção, da lava jato do Lulinha”.

Mas, e quanto às rachadinhas? Compra de imóveis com dinheiro vivo, gravação provando tomada de dinheiro com Vorcaro? Ligação com Bets? Isso importava? Pelo jeito nem um pouco. Então o motivo certamente é ideológico, não gostam do presidente por conta de sua ação social, sua defesa das minorias, sua política externa e outras coisas mais.

Respeito as ideias de cada um, mas me causa espanto ver uma legião de auto intitulados patriotas com camisa da seleção, que levava numa manifestação no dia sete de setembro uma enorme bandeira dos Estados Unidos, que por sinal está nos onerando com sobretaxas, que foram articuladas por um dos membros do clã, para pressionar a justiça do país, na condenação do pai, um ex-presidente que tentou de todas as formas dar um golpe de estado, sendo justamente condenado, pois democracia é coisa séria.

Eu tenho meu voto calcado em valores que me são caros, como: erradicação da miséria, saúde pública decente, direito à moradia, direitos trabalhistas bem definidos, ampliação do acesso às universidades públicas, sendo assim com o sistema de cotas, pois ele atenuará a imensa diferença de oportunidades que cada grupo tem. Vocês imaginam uma corrida em cima de cacos de vidro, um de botas e outro descalço?

E assim mantive meu voto, com esperança que desse certo, e isso aconteceu numa enxurrada de votos, e uma grande diminuição das abstenções, pois grande parte da população tomou a ciência real do que seria um governo Bolsonaro, para os mais pobres e também para a soberania do Brasil. Foi espantoso ver numa passeata dele alguém pedindo para o Trump jogar bomba no Brasil. Eu, ingênuo, achava que estupidez tinha limites.

Mas, enfim para minha alegria e de muitos brasileiros, o Lula ganhou, e tenho muita esperança do país melhorar e crescer com o crescimento do povo.

Um país de primeiro mundo não pode tolerar que a miséria seja institucional e que pessoas passem fome.

Tenho muitos familiares e amigos que não votaram como eu votei, mas isso é um direito inalienável de cada um. Embora não concorde, respeito suas decisões e sempre estou disposto a debater ideias, para um Brasil melhor.

Não posso concordar jamais com ameaças descabidas de demissões, de listas contra o comércio, ou interrupção de ações caritativas, pois “eles” votaram em outros candidatos. Será que sua boa ação é atrelada à obediência cega do voto de cabresto? Isso agradaria a Deus?

A democracia é soberana, o correto é aceitar o resultado e se preparar para outras disputas. Fugir para outro país se dizendo vítima, só apequena o já diminuto candidato.

Abraço fraterno a todos sem exceção.