Reintegração e sustentabilidade na penitenciária de Serra Azul
Professora cajuruense se sente realizada em participar deste projeto
Por: Tatiane Horie-CEPRNORTE
Em meio à preservação ambiental, nasceu uma iniciativa que une educação, sustentabilidade e solidariedade: o Projeto “bom futuro”, desenvolvido na Penitenciária II de Serra Azul. A proposta, que teve início em junho do ano passado, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, segue ativa até hoje ganhando ainda mais força diante dos impactos das queimadas e desmatamentos que devastaram a fauna e a flora locais nos últimos anos.
Idealizado pelas professoras Ivonette Paula dos Santos, cajuruense, e Margarete da Luz Almeida Rossato, da rede pública de ensino em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciaria (SAP), a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e servidores do estabelecimento penal, o Projeto envolve cerca de 100 pessoas privadas de liberdade e tem como foco principal a conscientização ambiental e a reintegração social.
O projeto consiste na distribuição e plantio de sementes nativas do Cerrado, doadas voluntariamente por professores e funcionários da penitenciária. As sementes são direcionadas ao setor escolar da unidade, onde os internos participam ativamente de todo processo, desde a triagem até o plantio.
Desde o início da ação o projeto já produziu aproximadamente 5 mil mudas de espécies nativas do Cerrado, como Guarapuava, Jerivá, Araçá, Guariroba, Araticum, Pau-Brasil, Cedro, Amoreira, dentre outras. Essa produção é resultado do esforço coletivo dos presos, professores e servidores.
Além do plantio em área do próprio estabelecimento penal, as mudas têm sido doadas a instituições da região, contribuindo diretamente com a recuperação ambiental de espaços públicos.
400 mudas foram doadas ao Centro de Ressocialização de Mococa, 600 mudas doadas para prefeitura de Serra Azul e 600 mudas para escola de Santa Cruz da Esperança.
De acordo com o responsável pela formação educacional e profissional da unidade prisional Alan Carlos Martins Bicas “este projeto é uma das ferramentas cruciais para a ressocialização do indivíduo privado de liberdade, de tal forma que ele se sinta valorizado e perceba que pode fazer a diferença com pequenas ações”. Para as professoras Ivonette e Margarete, “essa ação visa colocar os PPLs (pessoas privadas de liberdade) como protagonistas e atuantes na preservação e restauração do meio ambiente que naquele momento pedia socorro devido às queimadas. Então surgiu o projeto contando com os PPLs para que os mesmos relembrassem a necessidade de preservação, como cidadãos visando o futuro”

