Bebeto
É a desigualdade
A sociedade brasileira é autoritária, pois há toda uma forma de organização, atitude e estrutura que faz com que a população viva no limite de si mesma, de modo precário (Marilena Chaui), hierárquica, desigual, violenta e reacionária, com uma concentração de renda, esta entendida como relacionada a altos salários de uma minoria, renda de capital (juros), produção de bens e serviços, e uma concentração de riqueza como sendo o que se acumula ao longo do tempo entre propriedades e capital.
Para se ter uma ideia, o 1% dos mais ricos do Brasil detêm 50% de toda a riqueza, e os 10% mais ricos detêm 60% da renda do Brasil. Por outro lado, a metade mais pobre detêm apenas 1% da riqueza. Portanto, o Brasil se constitui um dos países mais desiguais do planeta. A história de séculos de escravidão explica parte desta desigualdade, a formação econômica também, sempre concentrada na mão de poucos. Essa desigualdade é muitas vezes expressa na arquitetura de nossas cidades, onde visualizamos favelas e condomínios de luxo dividindo a paisagem. Com essa disparidade de renda e riqueza, esperar o que desta sociedade, que ela seja capaz de iniciar um trabalho de desconcentração de renda e da riqueza?
A sociedade brasileira sempre teve os receptores internos que representam interesses externos em detrimento dos interesses de um Brasil autônomo e verdadeiramente independente, uma potência voltada para o Atlântico, rica, com um povo pleno de oportunidades e saúde.
Mas o problema passa pela política, ou seja, é um problema político e de politização da população. Com essa concentração de renda e riqueza e uma representação política voltada a esses interesses, ou seja, de uma minoria, fica difícil reverter esse quadro de injustiça social. Portanto, é necessário cada vez mais ter interesse pela política, pois ela é determinante. Não aceitar resignados as privatizações de serviços e a retirada de direitos sociais que são de fundamental importância, senão estes passam a ser comercializados no mercado, como se fossem uma mercadoria qualquer. Quando escrevi neste jornal sobre os juros exorbitantes praticados pelo Banco Central é porque ele privilegia uma minoria rentista, e é portanto, concentrador de renda, inibindo a ação do Estado como indutor do desenvolvimento.
Desenvolvimento econômico com distribuição de renda e oportunidades para todos se constitui um dos remédios para se ter uma sociedade mais justa onde todos possam desenvolver seus potenciais. Pense nisso…