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Campanha da Fraternidade 2018

Com o tema “Fraternidade e superação da violência” e sob o lema “Vós sois todos irmãos”, foi lançada, no dia 14/02, quarta-feira de cinzas, em todo o Brasil, a Campanha da Fraternidade 2018, e será realizada até 25/03, tempo quaresmal que possibilita mudança de vida, a partir de conversão, seguindo propostas da Igreja: jejum, esmola, oração.
O jejum permite um caminho para a receptividade e liberdade da vida em Cristo; a esmola é a prática da vida e fé partilhadas, que culminam na comunicação amorosa e misericordiosa da oração.
O objetivo é construir fraternidade, promovendo cultura de paz, reconciliação, justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação de violência, afinal, hoje, a corrupção, morte, agressividade nos gestos e palavras vão interrompendo cada vez mais a vida como irmãos. A violência nasce do esquecimento das origens da vocação do ser humano: o amor, daí a necessidade de conversão, de volta às origens, de reconciliação e misericórdia.
Esta campanha da fraternidade pretende refletir a realidade da violência, rezar pelos que sofrem violência e suas consequências e unir forças para superação, despertando uma cultura de fraternidade, apontando princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos humanos, abrindo caminhos de solidariedade.
O que pode determinar realidade de paz e de guerra são ações (ou omissões), poder de dinheiro, acesso à Justiça, tudo diretamente ligado às condições étnico racial e socioeconômico, bem como à realidade política, ou seja, o contexto social, econômico e político definem a desigualdade social, inversão de valores, omissões, resultando esquecimento da dignidade humana, a própria cultura da violência, que tende a tratar sujeitos sociais como inferiores: mulheres, jovens, idosos, trabalhadores, negros, índios, pessoas com diferentes orientações sexuais, imigrantes, migrantes; tornando-os alvos de atos violentos, excluídos socialmente, descartados. Conforme Papa Francisco, ao ser colocado como ídolo, o dinheiro destrói o homem a o condena a ser um escravo, violência maior; e, se considerarmos a competividade atual, dentro de um modelo econômico sob o qual a população acaba por ficar desempregada, carente de qualquer perspectiva de vida, vivendo a miséria, sem saúde, com pouco tempo de vida, violentada e quando seres assim conseguem chegar à idade adulta, correm riscos do tráfico (humano, drogas, armas...).
Historicamente, o Brasil tem uma formação considerada violenta, o branco dominou o índio, arrebatou o africano e o escravizou e continua uma história de jogo de poder, gerando todas estas situações de violência, chegando à mídia informação conduzida em noticiários, não como apresentação de fatos, porém acompanhados de análises com ponto de vista pronto e manipulador. E as mídias, com seu poder, poderiam auxiliar na construção da fraternidade, despertando, por exemplo, convivência pacífica, combatendo simplismo diante da complexidade da violência, afinal, pena de morte, redução da maioridade penal ou justiça com as próprias mãos, não conduzem à solução ou mudança de realidade.
Portanto, a sociedade, junto do poder público, das religiões, pode e deve promover a vida, a liberdade, a justiça, a solidariedade, seria a prática da cultura da paz, sem intolerância ou fanatismo, mas sim pessoas reunidas e juntas, em comunidade, em suas crenças, em seus postos, são laços que se unem, são seres que se reconhecem, como irmãos, irmãs, semelhantes.