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Por: Odete Rosa
e-mail: odeterosa9@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DICAS & TRUQUES

Crônica de saudades

Fonte: Odonir Oliveira


Li por aí – não sei onde nem quando – que não se deve ficar revendo fotos do que passou, relembrando momentos do passado com antepassados já falecidos, não se pode ser saudosista, sob pena de não se aproveitar o momento presente etc. Nunca fora saudosista quando mais jovem. Depois dos 50, passei a ser. Sinto-me bem, relembrando fatos e imagens do que aconteceu. Consigo me lembrar de cada objeto que recebi de lembrança, principalmente de alunos e amigos, de cada foto que manuseio, onde foi tirada, quando foi, com quem eu estava. Faz muito bem, ainda, poder me lembrar. Penso que logo não me lembrarei mais, por isso escrever sobre isso é tão significativo.
Só tem lembranças quem viveu aqueles momentos. Chico Buarque diz “Os momentos bons e as horas más / que a memória coa…” é uma imagem precisa: só terá sentido o que a memória coou, reteve, manteve…Quantos instantes preciosos em nós, mesmo os que vivemos só nós mesmos, sem contá-los a ninguém- fazem valer uma existência: quando na infância recebemos um presente, uma presença, um gosto, um perfume, um toque… tudo da infância precisa ficar registrado, primeiro em nós, depois para os que virão depois de nós e o narrarão aos que virão depois deles. É a história sendo vivida cotidianamente.
Tenho saudades dos meus amores, que sempre os amei em verso e prosa. O romantismo das histórias lidas em meus clássicos, as poesias demoradamente degustadas, as músicas que ouvi, desde garota na Rádio JB no Rio; depois, as da Eldorado em São Paulo, não existia FM ainda…. todas elas decalcaram minha vida, aos poucos.
Tenho saudade da leitura diária dos jornais, no Rio, quando menina; em São Paulo, quando universitária. Tenho saudade dos shows gratuitos a que compareci principalmente os de MPB, nos anos 80, naquela cidade. As peças de teatro, as mostras de arte e cinema, quantas fizeram de mim o que sou… o cinema, tantas vezes na sessão da meia-noite, pré-estreias famosas ou outras, com diretores e atores participando dos debates.
Quanta saudade tenho dos comícios de que participei na Praça da Sé, com minha filha ainda em um canguru, amarrada a mim, mas junto, ali, presente.
Tenho saudade dos meus arroubos amorosos todos: jardins feitos com as próprias mãos, repletos de amores-perfeitos, faixas e cartazes pela casa inteira, coletânea de versos, jantares e afins em domicílio pra pintar os céus de lirismo. Tenho saudade de quem eu fui.
Tenho saudade do sentimento que me invadia quando de festas de aniversário surpresa, presentes feitos por alunos, flores recebidas, demonstrações de afetividade de quem quer que fosse.
Tenho porque as saboreei da fruta ao caroço, como as mangas de que tanto gosto. Todos esses sabores ainda os tenho em mim.
Tenho saudade de uma outra que eu era, de uma outra que acreditava muito em amanhãs. Hoje não posso mais ser assim. Chego a me admirar da felicidade miúda que vejo em pessoas que desejam muito pouco da vida – a maioria delas por alienação política, social ou até por certa escolha. Não posso ser assim, porque minha história de vida não me fez nem me faz assim.
Tenho saudades sim, gosto de ver fotografias e de lembrar quem fui e quem sou.


Frase do dia: “Quando é verdadeiro, a distância não separa, o tempo não enfraq
uece e ninguém substitui.”
Joana Valdês

Andre Titareli Borges
Empresário – Diretor ACEC

 

Cajuru 152 anos

Festejamos com muito carinho mais um aniversário de Cajuru, 152 anos. Nesta oportunidade comemoramos a passagem política da condição de vila à cidade, celebrar é tornar célebre um momento. Festejar esta data significa trazer à memória um dia especial, comemorar no presente aquilo que aconteceu no passado, mas com olhar horizontal, portanto, no futuro. Só assim é possível tornar a data célebre, festejar verdadeiramente.
Nossa cidade padece do mesmo mal que assola o país, a crise que escarneceu o povo brasileiro, mostra sua pior face, em Cajuru, no desemprego, principalmente na entrada dos jovens no mercado de trabalho, centenas deles ficam condenados a uma eterna busca pelo primeiro emprego, é preciso uma atenção especial a esse público, especialmente aqueles que precisam compor a renda familiar.
Para os empresários atentos a esta realidade, não faltam oportunidades, a ACEC (Associação Comercial e Empresarial de Cajuru) faz um trabalho importante intermediando empresas na contratação de jovens aprendizes e estagiários. A população, ao fazer compras de produtos e serviços em nosso município, faz com que o dinheiro circule aqui, colaboram diretamente na manutenção de empregos e renda. O poder público prestaria um grande serviço trazendo cursos técnicos de áreas diversas para atender o município no setor de enfermagem, telecomunicações, usinagem, etc. Cursos de formação livre também viriam em boa hora, formando profissionais autônomos como marceneiros, calheiros, eletricistas, encanadores, tapeceiros, mecânicos, etc. Urge também criar um novo distrito industrial, com espaço adequado, para receber novos empreendimentos.
A união das forças é sempre positiva, essa reflexão é feita com base na realidade do terceiro setor cajuruense, sucesso absoluto, motivo de orgulho para todos nós. Responsáveis pela manutenção do Hospital, APAE, Asilo, Creches e outras entidades, prova irrefutável que a união entre sociedade, empresários e poder público, pode acontecer em uma dimensão de muita transparência, ultrapassa toda teoria inútil e toca a vida das pessoas, sobretudo, a população carente, mais fragilizada com a crise.
Toda população deve considerar essa realidade e cada qual a sua maneira deixar seu contributo para o município. Conhecer o passado de dificuldade, defender nossa história e proteger nosso patrimônio, é preciso união das forças, sem o discurso em voga do “nós contra eles”, aquele da política mesquinha, que causa danos e divide os cajuruenses, propomos o inverso: criar pontes. Assim, olhar no horizonte, sonhar um futuro com mais empregos e melhor renda para todos, então celebrar com maior zelo os próximos anos.