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Por: Odete Rosa
e-mail: odeterosa9@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DICAS & TRUQUES

Entenda porque não curto fotos de crianças no Facebook

Gustl Rosenkran

Antigamente, tínhamos em casa, numa estante ou num armário, um álbum de fotos, que, cheios de orgulho, gostávamos de mostrar aos parentes, amigos e vizinhos, principalmente aquelas imagens das travessuras e dos passos de desenvolvimento dados pelos filhos e filhas.
Hoje é a mesma coisa, continuamos fazendo fotos e mostrando aos outros, só que as fotos agora são digitais e podem ser facilmente compartilhadas em redes sociais.
Quando um adulto se expõe e posta fotos de si mesmo, tudo bem. Ele tem o direito de se expor da forma que quiser. Mas será que isso vale também para a exposição dos filhos? Pessoalmente, acredito que não.
É importante entender que a internet nada esquece.
Tudo que colocamos on-line fica armazenado para sempre, mesmo aquilo que acreditamos ter apagado novamente. Em algum lugar, em algum site, em algum servidor haverá uma cópia daquilo que foi colocado por você um dia na net.
Se entendemos que nossos filhos não nos pertencem (o que seria o certo!), será que temos então o direito de decidir por eles quais imagens de si devem ficar armazenadas para sempre na internet? Será que uma criança não teria o direito de decidir ela mesma, mais tarde, que cenas de sua infância ela gostaria que fossem mostradas ao mundo?
Eu sei bem como é.
Mães e pais se entusiasmam, acham aquela foto tão fofinha que querem partilhá-la com os amigos na internet. Na verdade, um gesto bonito. Mas outro problema é que a palavra “amigo” anda bastante inflacionada e isso que você chama de amigo muitas vezes é um perfil de alguém que você nunca viu na vida e (seja sincero!) não tem nenhuma ideia de quem essa pessoa realmente é.
Muita gente não diferencia entre os amigos de verdade, do mundo real, com quem podemos sim compartilhar momentos da vida de nossos filhos, e aqueles “amigos” virtuais, que, por sua vez, têm seus próprios “amigos” virtuais, o que faz com que a foto de uma criança termine se espalhando rapidamente entre pessoas estranhas.
Sei que não precisamos viver em paranóia, desconfiando de tudo e todos, mas, quando se trata de crianças, todo cuidado é pouco! Sabemos que há muita maldade no mundo e que crianças não podem se defender elas mesmas dessa maldade. Isso é tarefa dos pais, tarefa essa que descumprimos quando expomos nossos filhos desnecessariamente na internet.
E então, o que fazer?
Pais e mães deveriam parar de postar fotos dos filhos no Facebook/em redes sociais? Não, não precisam parar de postar, mas, por favor, postem corretamente: do mesmo jeito que ninguém antigamente colocava os álbuns de fotografia da família na janela para que todo passante pudesse ver, basta ajustar a privacidade e escolher quem deve ver as fotos (que deveriam ser as mesmas pessoas a quem você mostraria um álbum pessoal em papel).
Isso já ajuda muito! Mas tenha consciência de que essas imagens, mesmo tendo sua visualização restrita a um determinado grupo de pessoas, ficarão armazenadas nos servidores de Facebook e ninguém sabe o que essa empresa fará com todos esses dados e imagens no futuro. Então, mesmo postando só para as pessoas mais próximas, escolha bem as fotos que posta e se pergunte como seria para você hoje se seus pais tivessem postado uma foto semelhante sua.
Zele pela esfera privada de seus filhos
Não é minha intenção criticar ninguém, pois sei que mães e pais normalmente agem com as melhores intenções e criar filhos não é tarefa fácil. E todos nós erramos nessa missão, o que é perfeitamente normal. O que quero é deixar este apelo: zele pela esfera privada de seus filhos, proteja-os sempre da melhor forma possível, poste fotos deles com moderação e escolhendo bem o que posta e restrinja o acesso, mostrando as imagens somente a quem realmente deveria vê-las. É simplesmente uma questão de respeito por nossos filhos, esses seres que nos foram emprestados para que cuidemos deles, mas que não nos pertencem.


Frase do dia:
“Se a sua compaixão não inclui você mesma, ela está incompleta” Buda