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Por: Odete Rosa
e-mail: odeterosa9@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DICAS & TRUQUES

E se inventássemos um outro Natal?

Manuel Antonio Siqueira

Estou triste, está aí o Natal. A cada ano repete-se a sensação: vive-se o ritual, sem se pensar sobre o assunto.
Desculpem lá, mas é mais forte que eu. É das épocas do ano em que eu fico mais triste e quando fico triste… Pensando bem, acho que nem tenho que pedir desculpas por estar triste.
Esta coisa de sermos todos amigos, há horas certas e há dias certos, causa-me alguns arrepios. Cheira-me a hipocrisia, sei lá, qualquer coisa com sabor a falso.
De repente todos vão jantar com os patrões e com os colegas de trabalho, sorrimos mais e somos mais tolerantes. Como se fosse um decreto: agora vão ser todos felizes e amigos até dia 25 de dezembro. Bem, com uma tolerância até o Ano Novo.
Uma das razões porque gosto muito da língua portuguesa é pelo fato de separar claramente o verbo ser do verbo estar, ao contrário de outras línguas onde é difícil estabelecer claramente essa separação. E, porque a nossa língua permite essa diferença, creio que é bom assumirmos claramente que as pessoas não são melhores ou não são mais amigas porque é época de Natal. No máximo, as pessoas podem estar mais disponíveis para os outros, o que até nem é mau. É só pena ser por pouco tempo.
Para mim, como dizia alguém, o Natal – já que vem no final do ano – talvez fosse uma época por excelência para fazermos o balanço. O julgamento da nossa vida e de nós próprios, ou seja: que fizemos, ou faremos, nos outros 364 dias do ano.
É claro que o dia de Natal, tal como todas as celebrações ou comemorações é apenas um dia, apenas mais um dia. Então e como sempre, vale pelo que simboliza.
Ora aí está a questão: afinal o que é que simboliza o Natal?
Será que tem o mesmo sentido quando da sua gênese? Será que simplesmente se adaptou aos novos tempos?
E se o tal menino nascido há tanto, descesse à terra nestes dias, como se sentiria? Ficaria feliz? Eu creio que não, creio que ficaria triste ou até envergonhado. Com certeza até amargurado com tanta hipocrisia, tanto consumismo, usando o seu nome e em seu nome.
Com este tipo de sociedade, onde presentes se confundem com compras, em que comércio, lucro e dinheiro são os reis do mercado, há cada vez menos espaço para o Natal do outro menino.
Hoje, o tal Jesus, divulgador da paz, da solidariedade e da justiça, foi comido pelo Pai Natal – o tal homem das barbas, vestido de vermelho, inventado pela Coca-Cola e que anda por aí carregado de sacos, embrulhos e laçarotes e pedindo para você comprar.
O que fica de cada época natalícia é pouco mais que ruas cheias de lixo das embalagens geradores de felicidade instantânea, mas que nos embrulha e engana a cada coisa desnecessária.
E se inventássemos um outro Natal?
Segundo os dicionaristas, NATAL é um adjetivo que diz respeito ao dia do nascimento. É também um substantivo, dia em que se comemora o nascimento de CRISTO. É, sobretudo neste conceito que estamos interessados.
É que poucos comemoram, na verdade, o nascimento do Cristo, o nascimento de um Deus, ocorrido no meio do nada, num estábulo, perante a assistência de alguns animais. No entanto, um Rei, um Senhor, um Soberano, veio ao mundo para anunciar o Reino dos Céus, inaugurando uma “Nova Era de Esperança para os homens de boa vontade”.
Faço votos que neste Natal tenhamos uma “festa de aniversário”; celebrando, cada um de nós, dentro de nossas possibilidades, a Fraternidade, o Aniversário de Jesus, que é o verdadeiro e único motivo para a comemoração.
Finalmente, dentro do chamado “espírito de natal”, façamos uma festa solidária, convidando parentes, amigos.
Ah! Uma recomendação importante se faz pertinente: Não esqueçamos de convidar o Aniversariante.


Frase do dia:
“A esperança tem duas filhas lindas,
a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”
Santo Agostinho